sábado, 15 de março de 2008

Limites da Lei. Um Turow razoável.

Sempre gostei do Scott Turow.

É aquele escritor americano que fez muito sucesso lá e aqui com Acima de Qualquer Suspeita, um drama criminal jurídico, que depois virou um filme razoavelmente fiel com Harrison Ford.

Comprei este procurando algo na mesma linha.

Eu diria a vocês que quem é da área jurídica vai gostar, porque o livro é o dia-a-dia de um juiz que está com uma série de problemas dos mais variados. E nesta descrição do dia-a-dia do juiz , o livro é perfeito e tem alguns momentos brilhantes.

Um juiz de apelação vai julgar um grupo de rapazes que, na adolescência, numa festa de arromba, dão um boa noite cinderela numa estudante negra e fazem um estupro coletivo com a vítima desacordada. Por farra, um deles filma.

No dia seguinte a menina nem sabe o que aconteceu.

Anos depois, um dos rapazes resolve mostrar a fita para seus amigos de universidade. Alguém delata e todos eles vão presos.

Mas há alguns poréns na estória. Prescreveu ou não prescreveu o crime? Uma fita é prova válida ou não válida?

Para complicar, o juiz passou pro algo semelhante na juventude, mas ninguém sabe.

O problema do livro é que há várias tramas paralelas e isto acaba tirando o foco na principal, que é um questionamento sobre a ética e a conciência de quem julga. E também quebra o ritmo.

De qualquer forma vale os R$ 29,00. Pelo estilo elegante e pausado do Turow, por alguns bons momentos e pela boa tradução. Uma amiga livreira me disse que muito bom na mesma linha é O Rei das Mentiras, lançado recentemente pela Record.

Está na minha lista.

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