Sempre gostei do Scott Turow.
É aquele escritor americano que fez muito sucesso lá e aqui com Acima de Qualquer Suspeita, um drama criminal jurídico, que depois virou um filme razoavelmente fiel com Harrison Ford.
Comprei este procurando algo na mesma linha.
Eu diria a vocês que quem é da área jurídica vai gostar, porque o livro é o dia-a-dia de um juiz que está com uma série de problemas dos mais variados. E nesta descrição do dia-a-dia do juiz , o livro é perfeito e tem alguns momentos brilhantes.
Um juiz de apelação vai julgar um grupo de rapazes que, na adolescência, numa festa de arromba, dão um boa noite cinderela numa estudante negra e fazem um estupro coletivo com a vítima desacordada. Por farra, um deles filma.
No dia seguinte a menina nem sabe o que aconteceu.
Anos depois, um dos rapazes resolve mostrar a fita para seus amigos de universidade. Alguém delata e todos eles vão presos.
Mas há alguns poréns na estória. Prescreveu ou não prescreveu o crime? Uma fita é prova válida ou não válida?
Para complicar, o juiz passou pro algo semelhante na juventude, mas ninguém sabe.
O problema do livro é que há várias tramas paralelas e isto acaba tirando o foco na principal, que é um questionamento sobre a ética e a conciência de quem julga. E também quebra o ritmo.
De qualquer forma vale os R$ 29,00. Pelo estilo elegante e pausado do Turow, por alguns bons momentos e pela boa tradução. Uma amiga livreira me disse que muito bom na mesma linha é O Rei das Mentiras, lançado recentemente pela Record.
Está na minha lista.
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